
As camisas eram de pano, o mundo ainda era bipolarizado entre EUA e URSS e, pasmem, não existia internet. Muita coisa era diferente. Uma ainda é igual: a paixão do torcedor pelo seu clube. Em 1984, milhões de
tricolores comemoraram o título brasileiro, conquistado contra o Vasco, com um gol do paraguaio Romerito. Hoje, 26 anos depois, o torcedor
pó de arroz pode soltar o grito, em um mundo repaginado e, cada vez mais, sujeito a grandes mudanças.
O jogo do título, contra o rebaixado
Guarani, não teve a carga de emoção de uma final, mas foi muito mais complicado do que se imaginava anteriormente. Os 90 minutos passaram devagar no cronômetro das Laranjeiras. O time de Muricy Ramalho entrou em campo sentindo a grande responsabilidade em seus ombros. A torcida, muito otimista, já havia presenciado duras derrotas nos anos anteriores, nas finais contra a LDU, e não queria ver mais um título escorrendo pela suas mãos. E não viu.
Em campo, o
Bugre usava uma marcação forte, principalmente em Conca, mas as limitações que fizeram com que o campeão brasileiro de 1978 fosse rebaixado não deixavam de aparecer. O
Fluminense começou a jogar, de fato, a partir dos 35 minutos, mas o primeiro tempo terminou sem gols. A apreensão só não era maior, porque
Corinthians e
Cruzeiro empatavam seus jogos e, com os resultados, o
Flu continuava na ponta da tabela.
A segunda etapa não foi muito diferente. Mas aos 16 minutos, veio o gol histórico. Carlinhos avançou pela esquerda, escapou da marcação e cruzou a bola para a área. Washington desviou a redonda, que encontrou a colorida chuteira de Emerson. O Sheik tratou de promover o encontro da gorducha com as redes, 1 a 0. Coube aos jogadores e torcedores vigiar o tempo e escutar os resultados dos outros postulantes ao título (Cruzeiro 2 x 1 Palmeiras ; Goiás 1 x 1 Corinthians). Aos 47 minutos, o árbitro Carlos Eugênio Símon apitou o fim da peleja pela última vez em sua carreira, o
Flu pode comemorar o merecido título brasileiro, e Muricy Ramalho pode homenagear Telê Santana, seu mestre.
A última vez que o Rio de Janeiro teve campeões brasileiros em anos consecutivos foi em 1982-1983-1984. Justamente Com a dupla
Fla-Flu.
BOTAFOGO:O segundo jogo que mais prendeu atenção dos cariocas foi entre
Grêmio e
Botafogo, em Porto Alegre. A partida valia a quarta colocação no Campeonato. Contando com André Lima, Jonas e Douglas,os protagonistas que ajudaram na impressionante arrancada, da zona de rebaixamento à zona da Libertadores, o Grêmio bateu facilmente o
alvinegro, que teve atuação desastrosa.
O
Glorioso perdeu por 3 a 0, e poderia ter levado mais. Quem abriu o placar foi o
ex-botafoguense André Lima, aos 20 minutos, aproveitando rebote de Jéfferson. Aos 38, Jonas ampliou o placar. O tento, um chute forte, que chegou a beijar a trave antes de entrar, foi o de número 75 do atacante com a camisa do
Imortal. Renato Gaúcho, atual técnico e maior ídolo da história do clube, tem 74.
Logo no início da segunda etapa, Jéfferson afastou mal a bola da defesa. Ela parou nos pés de André Lima que, com facilidade, driblou o goleiro e tocou para Douglas marcar, 3 a 0. Vitória fácil do Grêmio, que poderia ter feito mais. A importância deste jogo será avaliada somente no dia 8, quando Independiente e Goiás jogarem a grande final da Copa Sul-Americana. Apesar do fim de temporada decepcionante, o Botafogo fez sua melhor campanha desde que foi campeão, em 1995.
VASCO:Uma vitória tranquila assegurou a vaga do
Vasco para a próxima Copa Sul-Americana. O técnico PC Gusmão reencontrou, em São Januário, o
Ceará, último time do treinador antes de assumir o
cruzmaltino.
Sem muito apelo emocional, o jogo foi tranquilo, assim como a vitória do
Gigante da Colina. Quem abriu o placar foi Dedé, aos 31 do primeiro tempo, coroando seu excelente campeonato. O zagueiro aproveitou a cobrança de escanteio, e de cabeça, deixou sua marca. Muito desfalcado, o time
vascaíno tinha dificuldade no entrosamento, e o jogo era ditado muito mais pela disposição do que pela técnica.
O segundo do Vasco veio logo aos 2 minutos da etapa derradeira. Após confusão e bate-rebate na área
cearense, a bola sobrou para Bruno Paulo, que fez o seu primeiro com a camisa
cruzmaltina. E o jogo ficou nisso. Vasco 11º colocado em sua temporada de retorno à primeira divisão.
FLAMENGO:As duas equipes, que decidiram o Campeonato Brasileiro de 1983, fizeram na Vila Belmiro uma partida só para cumprir tabela.
Flamengo e
Santos entraram em campo pensando no futuro, na próxima temporada. Prova disso foi a escalação do
rubro-negro, que contava com alguns jogadores pouquíssimos utilizados em 2010.
O jogo, como era de se esperar, não foi bom. Para piorar, faltou emoção... e gols. Um zero a zero sem graça, que deu ao Flamengo a 14ª colocação no campeonato, um resultado catastrófico para quem na última temporada comemorava o título nacional. Resta ao
Fla, agora, se unir ao Grêmio e secar o Goiás na final da Sul-Americana. Caso o
esmeraldino perca o título continental para o Independiente, o time da Gávea terá como prêmio de consolação uma vaga na Copa Sul-Americana.
* De volta para o passado:A última rodada do BR-2009 apontou o Flamengo como grande campeão. O
rubro-negro lotou o Maracanã para ver a vitória ante o Grêmio, por 2 a 1. Muito se disse sobre o entrega-não-entrega, já que o Internacional, grande rival do
tricolor gaúcho, era um dos postulantes ao caneco. Dentro de campo, o Grêmio foi quem abriu o placar, com Roberson, aos 21 minutos. Aos 29, David empatou e aos 24 do segundo tempo, Ronaldo Angelim desferiu a cabeçada que deu ao
Fla o título de 2009.
No Engenhão, o Botafogo jogava sua vida na Série-A. O
alvinegro contou com a ajuda de sua torcida para enfrentar o Palmeiras. A vitória por 2 a 1, garantiu o
Glorioso na Série-A e tirou do Palmeiras a chance de disputar a Libertadores. Wellington e Jóbson marcaram pelo
alvinegro. Robert, na última jogada da partida, descontou para o
alviverde.
Se o Fluminense não jogou uma grande final para ser campeão em 2010, o título de hoje veio graças a uma arrancada, e um empate, em 2009. O “Time de Guerreiros” de Cuca foi a Curitiba enfrentar o Coritiba, e precisava de um empate para não ser rebaixado. O
Coxa tinha que vencer para continuar na Série-A. O empate por 1 a 1, com gols de Marquinho (Fluminense) e Pereira (Coritiba), garantiu o
Flu na elite do futebol brasileiro. Com o rebaixamento do
Coxa, seus torcedores invadiram o campo, e o clube (que hoje, com dignidade foi campeão da Série-B) levou uma grande punição.
Pela Série-B, o Vasco, pensando já na primeira divisão, perdeu para o Ipatinga por 2 a 0. O resultado garantiu o time mineiro na segundona. Os gols foram de Amilton e Thiago Mathias